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Seus exames antes da cirurgia: o que pode ser otimizado

Por Dr. Thiago Gonçalves Wolf, médico anestesiologista · Atualizado em 28/10/2026

Os exames pré-operatórios não servem só para liberar a cirurgia. Eles mostram o que pode ser melhorado antes, com tempo: uma anemia, um potássio baixo, uma infecção que ninguém percebeu ou uma tendência a sangrar que nunca foi estudada.

Importante: este texto explica o que a avaliação pré-anestésica procura nos exames. Não substitui a consulta. Cada resultado é interpretado junto com a sua história, o exame físico e a cirurgia planejada. Não comece nem suspenda remédios, ferro ou antibióticos por conta própria.

Anemia: a correção mais importante

Operar com anemia aumenta a chance de transfusão e de complicações. Em cirurgias com perda de sangue prevista, como abdominoplastia e lipo de grandes áreas, a meta é hemoglobina de pelo menos 13 g/dL, para mulheres e homens (consenso internacional de 2017).

  • A causa mais comum é falta de ferro, especialmente em mulheres com menstruação intensa e em quem fez cirurgia bariátrica. O exame que confirma é a ferritina (abaixo de 30 ng/mL indica falta de ferro).
  • Ferro por via oral funciona quando há tempo, em geral de 6 a 8 semanas. Tomar em dias alternados costuma ser mais bem tolerado.
  • Ferro na veia sobe a hemoglobina em 2 a 4 semanas e é a escolha quando a cirurgia está próxima ou o ferro oral não funciona.
  • Também se investiga a causa da perda de ferro, para não tratar só o resultado.

Exemplo: mulher de 38 anos, abdominoplastia em 6 semanas, hemoglobina de 11,2 e ferritina de 9. Recebe ferro na veia, repete o hemograma em 3 a 4 semanas e a data é reavaliada se a hemoglobina não subir ou continuar bem abaixo da meta.

Potássio, sódio e rins

  • Potássio baixo (abaixo de 3,5) é comum em quem usa diurético e pode causar arritmia na anestesia; corrige-se com reposição antes.
  • Potássio alto ou sódio baixo pedem investigar remédios como diuréticos, losartana e antidepressivos.
  • A creatinina define a dose de vários remédios e o prazo de suspensão dos anticoagulantes.

Sinais de infecção

A cirurgia eletiva deve ser feita sem infecção ativa. A consulta pergunta e examina:

  • febre, tosse, gripe ou dor de garganta recentes;
  • infecção urinária com sintomas;
  • lesões, espinhas inflamadas ou feridas na pele onde será a incisão;
  • dente inflamado ou abscesso.

Quando existe infecção, ela é tratada antes, com antibiótico se for bacteriana, e a cirurgia é remarcada. Gripe ou resfriado com febre ou tosse produtiva também adiam. Depois de COVID, aguardam-se pelo menos 2 semanas, com avaliação; em cirurgia estética, costumo sugerir 7 semanas.

Antibiótico sem infecção não é indicado. Bactéria na urina sem sintomas, por exemplo, não é tratada antes de cirurgia plástica (IDSA 2019). O antibiótico de prevenção, dado na hora da cirurgia, é outra coisa e faz parte do protocolo da equipe.

Coagulação: o que os exames podem revelar

O TP (RNI), o TTPa e a contagem de plaquetas avaliam a coagulação. Mais importante que os números, porém, é a sua história. A consulta pergunta sobre:

  • sangramento prolongado depois de extração de dente ou de cirurgia anterior;
  • manchas roxas sem motivo, sangramento de gengiva ou do nariz frequente;
  • menstruação muito intensa desde jovem;
  • parentes com problema de coagulação.

Exame alterado sem explicação não é motivo para operar assim mesmo. O caminho é repetir, investigar a causa e, quando necessário, avaliar em conjunto com o hematologista. Algumas situações:

  • Doença de von Willebrand, a alteração hereditária mais comum, muitas vezes descoberta só na hora de uma cirurgia. Tem tratamento: desmopressina ou reposição do fator, planejados com o hematologista.
  • Hemofilia e outras deficiências de fatores: reposição do fator antes e depois da cirurgia, em centro preparado.
  • Plaquetas baixas: a maioria das cirurgias exige pelo menos 50 mil; peridural e raquianestesia, pelo menos 80 mil. Abaixo disso, investiga-se a causa e planeja-se a correção.
  • RNI alto sem anticoagulante: pode indicar falta de vitamina K ou doença do fígado, e a causa é tratada antes.

Exemplo: mulher de 29 anos, mamoplastia, TTPa um pouco alongado. Conta que sangrou dias depois de tirar o siso e tem menstruação intensa. A cirurgia aguarda a avaliação do hematologista; confirmada a doença de von Willebrand, o plano de reposição é feito com ele e a cirurgia acontece com segurança.

Quando fazer a consulta

Para dar tempo de corrigir uma anemia ou investigar um exame, o ideal é 4 a 6 semanas antes em cirurgias grandes, ou no mínimo 15 a 30 dias antes.

Perguntas frequentes

Posso fazer cirurgia plástica com anemia?

Em cirurgias com perda de sangue prevista, a meta é hemoglobina de pelo menos 13 g/dL. A anemia por falta de ferro pode ser corrigida antes, com ferro por via oral ou na veia, e a data é reavaliada conforme a resposta.

O que acontece se meu exame de coagulação vier alterado?

O exame é repetido e a causa é investigada, junto com a sua história de sangramentos. Quando necessário, a avaliação é feita com o hematologista, que pode planejar reposição de fatores ou outro tratamento antes da cirurgia.

Preciso tomar antibiótico antes da cirurgia?

Só se houver uma infecção bacteriana ativa, que deve ser tratada antes da cirurgia. Bactéria na urina sem sintomas não precisa ser tratada antes de cirurgia plástica. O antibiótico de prevenção é dado pela equipe na hora da cirurgia.

Quanto tempo depois de uma gripe posso operar?

Com febre, tosse produtiva ou falta de ar, a cirurgia é adiada até a recuperação. Depois de COVID, aguardam-se pelo menos 2 semanas, com avaliação individual.

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