Nota de Atualização da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) em consenso com SBD e ABESO — recomendações para manejo seguro de agonistas GLP-1 e coagonistas GLP-1/GIP em cirurgias eletivas.
Com o uso crescente de GLP-1 RA (semaglutida, liraglutida, dulaglutida) e coagonistas (tirzepatida), surgiram preocupações sobre retenção gástrica, risco de broncoaspiração e segurança anestésica. A nota esclarece o posicionamento do consenso multiespecialidades frente às evidências mais recentes.
As recomendações não substituem o julgamento clínico individualizado do anestesiologista. A avaliação deve ser multifatorial, em decisão compartilhada com cirurgia e endocrinologia, considerando perfil de risco e contexto de cada caso.
Ausência de conteúdo líquido ou sólido no antro gástrico em ambas as posições (supino + lateral direito).
→ BAIXO RISCO. Prosseguir.
Presença de líquido com volume estimado igual ou inferior a 1,5 mL·kg⁻¹. Conteúdo apenas no decúbito lateral direito.
→ BAIXO RISCO. Prosseguir com segurança.
Líquido > 1,5 mL·kg⁻¹ ou conteúdo sólido/particulado.
→ ALTO RISCO. Adiar cirurgia eletiva OU realizar ISR (intubação em sequência rápida).
Evidência derivada de estudos de preparo para colonoscopia: dieta líquida 24h reduz resíduos gástricos em usuários de GLP-1 RA.
| Recomendação | SBA/SBD/ABESO 2026 | ANZCA 2025 | SPAQI 2025 | AOA/RCOA 2025 | ASA+ASMBS 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Suspensão GLP-1 RA | Não rotineira se estável >12sem. Seletiva se alto risco. | Não recomendada | Não recomendada (sem sintomas GI) | Não recomendada | Seletiva se alto risco (7d longa / 1d curta) |
| Dieta pré-operatória | Líquida 24h + jejum 8–12h | Líquida sem resíduo 24h + jejum 6h | Líquida sem resíduo 24h + NPO 4h | Não detalha | Líquida 24h (alto risco) |
| POCUS Gástrico | Recomendado (quando disponível) | Recomendado | Recomendado | Considerar | Recomendado |
A SBA disponibiliza modelo de TCLE específico para pacientes em uso de GLP-1/GIP. Os principais compromissos e informações abordados no termo são:
Declarar todos os medicamentos em uso (Ozempic, Mounjaro, Rybelsus, Trulicity, Victoza, Saxenda etc.) e sintomas GI presentes.
GLP-1 RA retardam esvaziamento gástrico → conteúdo pode persistir mesmo após jejum → risco de aspiração pulmonar.
Seguir rigorosamente o jejum e a possível suspensão temporária da medicação conforme orientado.
Ciência sobre realização de POCUS gástrico no dia do procedimento e possibilidade de adiamento se estômago não vazio.
O adiamento por segurança isenta a equipe de responsabilidade — é medida de proteção do paciente.
Risco de broncoaspiração não pode ser completamente eliminado, mesmo cumprindo todas as orientações.
Se você faz uso de Ozempic, Mounjaro, Trulicity, Rybelsus, Victoza, Saxenda ou similar, agende sua avaliação pré-anestésica em Belo Horizonte. Decisão sobre suspender ou manter a medicação deve ser feita com o anestesiologista — não interrompa por conta própria.
Agendar pelo WhatsAppSe você usa semaglutida (Ozempic, Wegovy), liraglutida (Saxenda, Victoza), dulaglutida (Trulicity) ou tirzepatida (Mounjaro), existe uma informação crítica que você precisa levar à consulta pré-anestésica: esses medicamentos retardam o esvaziamento gástrico, o que aumenta o risco de broncoaspiração durante a anestesia — mesmo se você seguiu o jejum corretamente.
Em condições normais, o estômago vazio é um pré-requisito de segurança para a anestesia geral. Os agonistas de receptor GLP-1 (GLP-1 RA) e os coagonistas GIP/GLP-1 reduzem a motilidade gástrica, fazendo com que o estômago esvazie mais lentamente — até mesmo após horas de jejum. Isso significa que pode haver conteúdo sólido ou líquido no estômago no momento da indução anestésica, criando risco real de broncoaspiração: a inalação desse conteúdo para os pulmões durante a anestesia, uma complicação potencialmente grave.
Esse risco é independente dos sintomas digestivos. Você pode não sentir náuseas, não ter refluxo, não ter queixas gastrointestinais — e ainda assim ter esvaziamento gástrico retardado. A ausência de sintomas não exclui o risco.
A Nota de Atualização SBA 2026 — desenvolvida em consenso com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) — estabelece que a decisão de suspender ou manter o GLP-1 RA antes da cirurgia deve ser individualizada, levando em conta:
Para pacientes em uso de GLP-1 RA que mantêm a medicação ou têm alto risco de esvaziamento retardado, a nota recomenda dieta líquida sem resíduos nas 24 horas anteriores à cirurgia. Essa estratégia reduz a quantidade de conteúdo sólido no estômago e melhora o perfil de segurança anestésica, mesmo sem interromper o medicamento.
Os líquidos liberados nesse período incluem: água, café preto sem leite, chá sem leite, água de coco filtrada, sucos coados sem polpa, e soluções com glicose, frutose, maltodextrina ou soro de reidratação oral. O jejum absoluto (incluindo líquidos) deve ser respeitado nas 6 a 8 horas anteriores à anestesia, conforme orientação do seu anestesiologista.
Se você usa qualquer medicamento da classe dos agonistas GLP-1 ou coagonistas GIP/GLP-1, informe o Dr. Thiago Wolf no momento do agendamento e leve à consulta pré-anestésica: o nome comercial e genérico do medicamento, a dose atual, há quanto tempo usa e se tem algum sintoma digestivo. Com essas informações, será possível determinar o protocolo mais seguro para a sua cirurgia — incluindo a necessidade de suspensão, o tempo adequado, o preparo dietético e a estratégia anestésica.